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Por que cães e gatos precisam de comida de verdade?

  • leticialopezvet
  • 15 de jun.
  • 3 min de leitura

A alimentação é um dos pilares mais importantes para a saúde e a longevidade de qualquer ser vivo. Na medicina humana, já é amplamente reconhecido que uma dieta baseada em alimentos frescos e minimamente processados está associada à prevenção de diversas doenças crônicas e à promoção da qualidade de vida. Mas será que esse princípio também se aplica aos nossos cães e gatos?


A resposta é sim.


Embora cães e gatos possuam necessidades nutricionais diferentes das nossas, seus organismos também foram moldados para utilizar nutrientes provenientes de alimentos naturais. Proteínas de origem animal, gorduras de boa qualidade, fibras, vitaminas, minerais e diversos compostos bioativos presentes nos alimentos desempenham funções essenciais para o funcionamento adequado do organismo.


Isso não significa que alimentos industrializados sejam necessariamente inadequados. As rações comerciais - teoricamente - são formuladas para atender às exigências nutricionais dos animais e representam uma opção prática, porém não necessariamente seguras ou completas. No entanto, é importante compreender que esses produtos passam por um intenso processamento industrial, envolvendo moagem, mistura, extrusão e altas temperaturas, etapas que podem alterar características dos ingredientes e reduzir a disponibilidade de alguns nutrientes, tornando necessária a suplementação com vitaminas e minerais adicionados posteriormente.


Por outro lado, uma alimentação baseada em ingredientes frescos preserva a estrutura natural dos alimentos e oferece nutrientes em uma matriz alimentar complexa, na qual proteínas, lipídios, vitaminas, minerais e compostos antioxidantes interagem entre si. Além disso, carnes, vísceras, vegetais e frutas contêm substâncias bioativas que exercem efeitos positivos sobre a saúde, contribuindo para a modulação da inflamação, da microbiota intestinal e do sistema imunológico.


Outro aspecto frequentemente negligenciado é a umidade da dieta.

Enquanto a maioria das rações secas apresenta cerca de 8 a 10% de água, uma alimentação natural pode conter entre 70 e 80% de umidade, aproximando-se muito mais da composição dos alimentos consumidos pelos ancestrais desses animais. Esse maior aporte hídrico favorece a hidratação diária e é especialmente benéfico para gatos, que possuem baixa ingestão espontânea de água e maior predisposição ao desenvolvimento de doenças do trato urinário e dos rins.


A saúde intestinal também pode ser favorecida por uma alimentação composta por ingredientes frescos e variados. Fibras provenientes de vegetais, frutas e sementes adequadamente selecionadas servem de substrato para a microbiota intestinal, promovendo a produção de ácidos graxos de cadeia curta e contribuindo para a integridade da barreira intestinal, para a resposta imunológica e para o equilíbrio do organismo como um todo.


Além disso, oferecer diferentes fontes de proteína e outros ingredientes amplia a diversidade nutricional da dieta. Assim como acontece com os seres humanos, a variedade alimentar pode proporcionar uma oferta mais ampla de nutrientes e compostos bioativos, enriquecendo a alimentação e tornando as refeições mais interessantes e prazerosas para o animal.


Outro benefício frequentemente observado na prática clínica é a melhora da palatabilidade. Muitos cães e gatos demonstram maior interesse por alimentos frescos devido ao aroma, à textura e ao sabor mais naturais, o que pode ser especialmente útil em pacientes idosos, convalescentes ou com redução do apetite.


Também é comum que tutores relatem melhora na qualidade das fezes, na condição da pele e da pelagem, no controle do peso corporal e até mesmo no nível de disposição dos animais após a introdução de uma alimentação natural corretamente formulada. Embora esses resultados possam variar entre indivíduos, eles reforçam a importância de uma nutrição de qualidade como ferramenta de promoção da saúde.


Entretanto, é fundamental desfazer um equívoco bastante comum: alimentação natural não significa simplesmente oferecer carne cozida, arroz, legumes ou restos da comida da família. Cães e gatos possuem necessidades específicas de aminoácidos, ácidos graxos, vitaminas e minerais, e uma dieta preparada sem orientação profissional pode resultar em deficiências ou excessos nutricionais capazes de comprometer seriamente a saúde do animal.


Por isso, uma alimentação natural deve sempre ser planejada e balanceada por um médico veterinário capacitado em nutrição, levando em consideração fatores como espécie, idade, porte, condição corporal, nível de atividade física, estado fisiológico e presença de doenças.


Cada paciente possui necessidades individuais, e a dieta deve ser personalizada para atender essas particularidades.


Mais do que uma forma de alimentar, a comida pode ser encarada como uma ferramenta de cuidado diário. Cada refeição representa uma oportunidade de fornecer nutrientes essenciais, estimular o bem-estar, fortalecer o organismo e contribuir para a prevenção de doenças ao longo da vida.


No fim das contas, alimentar um cão ou um gato vai muito além de oferecer calorias para matar a fome. É investir, todos os dias, na saúde, na qualidade de vida e na longevidade de um membro da família que depende das nossas escolhas para viver melhor.

 
 
 

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